segunda-feira, 29 de março de 2010

Infância

Outro dia eu parei para pensar "será que eu ainda sou criança?". Vamos analisar os fatos → eu posso até ser um pouco criança, mas o que realmente importa agora é que todas as outras crianças que vieram depois de mim ouvem a história e eu ja até vivi um pouco dela o.o Que isso, eu não posso ter vivido a história, isso é coisa de enciclopedia! (e da minha mãe, caramba). Então eu escrevi comovida o seguinte texto:


Talvez algum adulto vendo isto aqui já ria logo de início, assim que ler o título: “Há, ela se acha muito velha para escrever sobre infância...”. Mas eu penso que é por aí que começa.
Os adultos estão sempre reclamando que a juventude passou muito rápido, que eles gostariam de voltar no tempo e também vivem sempre me dizendo para aproveitar enquanto ainda sou nova, coisa e tal. Mas o problema é que eu já me sinto uma adulta – ou quase – se os sintomas são saudade e o pensamento de que “passou voando” e tenho medo de não aproveitar e acabar como eles.
Não me sinto adulta no sentido de mandar em todo mundo (bom, isso eu já faço...) nem de responsabilidades. Eu me sinto adulta porque ao olhar para trás eu vejo que já andei bastante e me distancio cada vez mais do ponto de partida.
Já me sinto um pouco adulta porque as minhas lembranças de criança já são lembranças. Já me sinto adulta porque vejo fotos e digo “como crescem rápido!”.
Já me sinto adulta porque estou vendo o tempo passar veloz por mim, e não eu veloz por ele. Já me sinto adulta por tudo isso aí que contei e já me sinto adulta justamente porquê eu contei.
Já me sinto adulta porque já soube, depois de nascida, de tragédias que mudaram a história do planeta e já me sinto adulta porque apesar de pequena já vivi uma reforma ortográfica, e já sofri com isso.
Já me sinto adulta porque vi Sandy e Junior chegar ao fim e J. K. Rowling escrever o último Harry Potter.
Já me sinto adulta porque vi o vídeo cassete virar algo embolorado e o disquete algo inútil.
Já me sinto adulta porque vi o final dos “celulares-tijolos” e telefones fixos menores que isso.
Exatamente por já me sentir um pouco adulta que agora eu quero que o tempo demore a passar, pois quando eu me sentir completamente adulta quero ter certeza de que aproveitei o máximo possível e não quero encher mais outro ser humano com o discurso do “passou voando”.
Mas apesar de já me sentir um pouco adulta, sei que não sou.
No fim das contas o que importa é a esperança que carregamos em nossos corações, seja ela qual for.
No fim das contas eu sei que ainda tenho muito o que viver e mesmo esses adultos reclamões também.
No fim das contas amanhã é só mais um dia.

2 comentários:

  1. Faço questão de vir a publico protestar contra as declarações de referência histórica, sempre relacionadas a mim.
    Np auge dos meus 34 anos, tenho um pique de 15 e não estou sempre de olho vermelho e caindo de sono as 21 hs. rsrsrsrsrsrs beijos te amo blogueira.

    ResponderExcluir
  2. ponto de vista...
    Para o Nilo sempre será aquela velha chata que quer controlar a vida desenfreada que ele planejou para sí mesmo...

    Para seus pais, sempre será aquela bebezinha frágil que precisa deles para dar um passo de cada vez...

    Para mim.. bom, para mim é estranho te ver falar de infância.. por que eu me vi menos criança quando você surgiu, e percebo as minhas lembranças presentes nos teus atos...

    Pare de crescer, senão, logo logo você me ultrapassa, se já não o fez.. apenas se contente em evoluir..

    Bjs

    ResponderExcluir